Conhecendo o Universo Expandido de Star Wars

em quarta-feira, 25 de novembro de 2015



Segunda Estrela da Morte foi destruída por Lando Calrissian e comitiva. O Imperador foi finalmente traído e aniquilado pelo seu mais leal discípulo. E toda a Galáxia Conhecida ficou livre de toda a tirania imperial a que estava submetida nos últimos 20 anos. As cortinas se fecham e todos aplaudem de pé frente ao final glorioso de Star Wars… Final?
Se você acha que tudo acabou por aí na saga da família Skywalker e os batutinhas, se enganou. Para aqueles que não gostam de Star Wars, bem, até concordo que essa informação (e esse artigo) será totalmente inútil para sua vida. No entanto, meu caro e nobre mancebo, caso você seja fã da franquia e nunca ouviu falar sobre o tal do Universo Expandido, sua vida acabou aqui e agora.
Tudo continuou, meu camarada. Você sabia que Luke Skywalker se tornou Mestre Jedi, fundou sua própria Academia Jedi (bastante diferente da retratada na nova trilogia, diga-se de passagem), Leia se casou com Han Solo e a batalha contra o maligno Império Galáctico persistiu por vários outros anos? Pior: você sabia que existem histórias detalhadíssimas sobre o que aconteceu cinco mil anos antes do que foi retratado no Episódio I? Bem vindo ao mundo mágico do Universo Expandido de Star Wars!
O tal do UE (ou EU, de Expanded Universe) consiste em todo o material já produzido em livros, seriados, jogos e quadrinhos envolvendo Star Wars. Dizer aqui “material oficial” é redundante, pois oUE é tão bem guardadinho e planejadinho pela Lucas Licensing que o difere de qualquer outro universo fictício no sentido do canonismo.
Canonismo, como já disse em outra oportunidade, se refere ao conjunto de diretrizes ou dogmas que compõem determinada esfera do conhecimento. O termo “cânon” tem sim fortes ligações com o pensamento religioso (católico, aham, oras, “canonizar” não te lembra nada?), puxando para si tudo aquilo que faz parte dos dogmas cristãos e católicos. O que vem de fora ou não é reconhecido pelas autoridades religiosas acaba ganhando o nome de “apócrifo”.
Pode-se dizer que em Star Wars quase tudo que foi publicado é canônico, com exceção dos fanfictions,fanfilms, etc., material “apócrifo” produzido por fãs ao redor do mundo. Todo esse universo é rigidamente supervisionado e sancionado pelo próprio George Lucas através de uma companhia especializada nisso, a Lucas Licensing, subsidiária da Lucas Limited.
A companhia estabeleceu o conceito de Holocron (isso mesmo, emprestaram a idéia do próprio UE de que os jedis armazenam seus ensinamentos em um dispositivo de mesmo nome), onde tudo é hierarquicamente organizado em níveis maiores ou menores de canonismo, permitindo assim que possam controlar a “expansão” do UE para lugares mais ou menos previstos. Sim, o Universo Expandido de Star Wars e sua expansão (apesar de às vezes não parecer…) são super controlados.
Dos níveis de canonismo, a gente tem que começar a falar do Canon tipo G, material considerado oficial por ter sido desenvolvido pelo próprio Jorjão. Dessa leva, incluímos os 6 filmes, os scripts, os radio dramas e novelizações. Depois do tipo G, temos o Canon tipo T ou Televisão, relativamente novo e que engloba as produções recentes como as animações Clone Wars e Star Wars The Clone Wars.
O maior acervo do Holocron e do UE está no Canon tipo C ou Continuidade. Nisso ficam os livros e quadrinhos basicamente, cujo princípio é completar lacunas ou oferecer as histórias que aconteceramdepois dos filmes.
Nisso eu preciso comentar brevemente dos Retcons, de Continuidade Retroativa… são as histórias que tentam tapar os buracos na saga contando o que aconteceu antes, o que por vezes acaba sendo um problemão. Como exemplo, temos a história do loser do Boba Fett que é contada em retcon, porém totalmente diferente do que vimos na Nova Trilogia.
Esses retcons acabam sendo consertados por outros escritores em livros e quadrinhos com Canon tipo C, ou então acabam sendo delegados aos canons de tipo SSecundário ou tipo Nnão-canon. Estes dois tipos cobrem partes da saga que ou caíram fora da cronologia por alguma razão, ou então são mesmo apócrifos e considerados como não oficiais.
Aqui entra um conceito chave para entendermos o UE, a idéia de Timeline ou Linha do Tempo. Quem aqui já comprou um livro de Star Wars do UE já percebeu que, antes de começar a história toda, tem sempre uma tabela contando toda a cronologia de eventos apresentadas na saga. Com a Timeline o pessoal da Lucas Licensing acaba domando a expansão do universo em si, pois sabe com absoluto controle de onde as coisas vieram e para onde estão indo.
Uma das maiores críticas ao Universo Expandido é que existem geralmente dois tipos de histórias que incomodam os fãs mais tradicionais. O primeiro tipo é o que chamamos de “rehash”, aquelas histórias que tentam repetir a todo custo os eventos dos filmes, só que de maneiras diferentes.
São vários os livros em que aparecem um grande vilão Sith com uma Superarma à la Estrela da Morte e que deve ser combatido pelos nossos heróis. Esse tipo, apesar de ser uma repetição ou variação sobre o mesmo tema, ainda é tragável quando o leitor está de bom humor ou está mesmo seco para saber mais sobre o que aconteceu com os eventos e personagens de Star Wars.
Já o segundo tipo – e que considero como o mais problemático – é sobre as histórias absurdamente malucas que aparecem, algumas como Retcon, outras como uma necessidade do formato em que oUE se apresenta naquele momento. Como exemplo, temos vários quadrinhos de Star Wars que, para atender a esta demanda específica de leitores de quadrinhos, precisa se adequar a uma lógica totalmente exagerada das coisas tal qual vemos em gibis de superheróis.
Quando isso não acontece, pode acontecer o pior, aquelas situações malucas em que os autores dequadrinhos tentam deixar sua marca no UE amarrando pontas soltas dos filmes… aí a casa cai. Como exemplo, temos a situação em que Darth Vader encontra a cabeça de C3P0 e lembra que foi ele que o construiu… ganchos e temas totalmente desnecessários, fala sério…

A questão da compra recente da Lucasfilms pela Disney implica em saber se os novos donos respeitarão as rígidas regras do Universo Expandido ou se o UE será abandonado definitivamente nos prometidos Star Wars VII, VIII e IX. Respeitar o UE significa contratar pessoas versadas no assunto, além de diretores e uma produção confiável que sabe de tudo isso… Kathleen Kennedy como a nova guru da Lucasfilms é um excelente nome (senão o melhor nome possível), dado o fato dela trabalhar com Lucas há muito tempo.
Por outro lado, não seguir o UE pode deixar uma série de fãs desolados, como assim ocorreu com o novo Star Trek de J.J. Abrahms, que optou por desconsiderar 40 anos de conteúdo já produzido sobre a franquia. Ignorar o Universo Expandido é simplesmente desconsiderar muito do que têm sido feito ao longo de 20, 30 anos e que os fãs já conhecem de cor e salteado. O próprio Timothy Zahn, um dos maiores autores do Universo Expandido disse sobre a compra da Disney que os novos filmes não precisam ser baseados em livros e quadrinhos já feitos, mas sim aproveitar alguns ganchos e enredos disponibilizados pelo UE, ou seja, tudo tem jeito.
Se é possível tecer algum comentário (profético) a respeito da aquisição da Lucasfilms pela Disney, basta vermos os resultados positivos com a Marvel Comics e a Pixar, também incorporadas ao mundoDisney e que têm sido trabalhadas com grande respeito aos fãs. O mesmo espera-se na franquia galáctica, inclusive, com o Universo Expandido.
O papo está bom, mas como a própria imensidão do Universo Expandido exige, deixarei para falar mais para depois, em outros artigos espalhados por aqui no Ao Sugo. Como um artigo introdutório, espero que tenha sido ao menos interessante para quem não conhecia a coisa toda… vale dizer que, apesar de algumas tragédias envolvendo o UE, existe muita coisa boa que deve ser lida pelos fãs. Portanto, fiquem de olho.

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