
Essa talvez vá ser uma daquelas cartas que vai me fazer chorar enquanto eu escrevo, mas isso não é uma coisa que eu possa evitar.
Oi amor, foi impossível não escrever isso aqui. Eu estava vendo coisas aleatórias na internet quando me deparei com uma daquelas músicas que me lembram de você. Não é uma daquelas que têm aos montes, mas uma daquelas de 4 ou talvez 5 anos atrás, quando toda essa bagunça começou.
Tinha muitos anos que eu não ouvia essa música em particular e os primeiros segundos dela, com o piano ao fundo já fez meus olhos arderem. Não tive como culpar meu astigmatismo dessa vez.
Eu sempre amei escrever cartas e mais cartas para você, mesmo quando eu sabia que você não estava mais se dando ao trabalho de ler, mesmo assim eu escrevia.
Talvez porque viver sem falar com você não fosse viver em minha concepção.
Mas as coisas mudaram e eu percebi que talvez fosse meu doentio conversar comigo mesma me iludindo com a ideia de que você iria ler. Então eu parei, e na época foi a melhor coisa que eu fiz por mim. Naquele momento eu me amei.
Eu me amei tanto que esqueci de você. Me tornei focada em outras coisas e você virou uma sombra, e eu nunca foi tão feliz.
Mas o amor sempre acha uma forma de voltar.
E depois de ouvir toda a música eu sorri e me alegrei por tudo o que eu vivi nessa vida. Eu sei que eu nunca disse tudo o que deveria ter te falado, eu sei que eu guardei essas coisas para mim e só te mostrei e só te falei o que te machucava.
Hoje eu entendo que eu te machuquei do mesmo tanto, se não mais, do que você me machucou. Precisei de muitos anos para perceber isso, e é uma pena que eu tenha demorado tanto para perceber. Eu perdi minha chance. Eu desperdicei meus momentos com você sendo a mesquinha e esnobe que você sempre me acusou de ser.
Essa carta é para você que me machucou e foi machucado. Que me fez chorar mas que mesmo hoje ainda me faz rir.
Essa foi para você meu amor.
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