Resenha: Proibido - Tabitha Suzuma + Vamos falar de... Incesto

em terça-feira, 23 de setembro de 2014

Hoje além da resenha tem Tag nova, na Vamos falar de... eu vou sempre estar comentando de vários assuntos diferentes. E hoje o tema é incesto.

Proibido Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis. Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes. Eles são irmão e irmã. Mas será que o mundo receberá de braços abertos aqueles que ousaram violar um de seus mais arraigados tabus? E você, receberia? Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.



Esse livro mudou muitas coisas na minha vida, ele é tão perfeitamente escrito e elaborado que me encantou antes mesmo de eu ler. A autora conseguiu falar sobre um assunto polêmico de uma forma tão normal e apaixonada que me fez parar de ver a polemica e só enxergar o amor.
O livro é narrado por Maya e Lochan, irmãos mas também seres humanos antes de qualquer coisa. Lochan é o mais velho de cinco irmãos, seguido por Maya, Kit um adolescente revoltado e inconformado, Tiffin um menino determinado e muito esperto e Willa uma doce menina e encantadora.
No começo da história já sabemos que o pai deles os abandonou e formou outra família e a mãe deles é uma adulta que não é não adulta, uma tentativa fracassada de ser humano e de mãe de família, viciada em bebidas e desinteressada sobre os filhos que fica mais parte do tempo na casa do namorado Dave e com o decorrer da história abandona completamente os filhos e só aparece para pegar roupas e se recusa a dar dinheiro para os cincos sobreviverem. 
Maya e Lochan cresceram com muitas responsabilidades, já que seus pais não cuidam deles, eles se juntaram e cuidaram dos três menores, o que os fez adultos prematuramente. Lochan é um menino que não consegue se relacionar com as pessoas de fora da sua família, e quando eu digo ''não consegue se relacionar'' é sério. Ele não consegue formular palavras para conversar com as pessoas e tem ataques de pânico quando tenta falar em público. 
Maya é o contrário, tem uma melhor amiga, não passa o recreio sozinha e tem admiradores pela escola.  
A vida os fez irmãos mas eles são alma gemias um do outro, mas em seu país incesto é crime, o que eles são capazes de fazer para viver o amor em liberdade? 
Eu me apaixonei por esses dois, tive dó, e me apeguei a causa deles. Passei o livro todo me perguntando porque as pessoas não deixavam eles se amar.
Não foi o primeiro livro que eu li onde fosse cometido incesto, mas foi o primeiro que houve realmente o incesto (Spoiler: O outro livro que li que abordava, porem mas superficialmente, o tema foi a saga Instrumentos Mortais. Só que depois os personagens principais, que achavam ser irmãos e que se amavam, descobrem que não são irmãos. Então não houve o incesto.) e eu confesso que por muitas vezes me vi torcendo para que a mãe deles revelasse que um deles era adotado e então eles poderiam se amar livremente. Mas esse não é um livro de conto de fadas, é um livor real onde acontecem coisas reais, e por exatamente por isso a autora não criou essa escapatória para eles. E eu adorei isso.
Até que chega o fim, e devo dizer: Eu nunca me surpreendi tanto com o final de um livro em toda a minha vida dedicada a leitura.
É só o que eu vou dizer.

                   Vamos falar de... Incesto 

Como o tema ainda é bem delicado para mim eu vou mostrar uma matéria feita pelo site Âmbito Jurídico.

       

Por que o incesto não é crime no Brasil?


A definição jurídica do incesto vem do latim incestu (impuro, impudico) e é definido como a conjunção carnal entre parentes por consangüinidade ou afinidade, que se acham, em grau, interditados, ou proibidos, para as justas núpcias. O artigo 183, do atual Código Civil, define esta proibição. Já a Psicanálise o denota como uma relação sexual ou marital entre duas pessoas consideradas, pela sociedade, como tão próximas que a união ou qualquer proximidade mais íntima entre elas torna-se proibida (tabu do incesto). Mas, afinal por que temos tanta repugnância ao incesto?
Praticamente todas as definições de incesto estão ligadas à idéia de proibição. Primeiro, a teoria biológica de um “horror inato ao incesto”, considera-o como a proteção natural contra os malefícios do cruzamento endogâmico. Já a teoria moral reporta a aspectos socioculturais, entendendo que, de acordo com uma perspectiva estruturalista, a proibição do incesto é cultural, mas necessária para o desenvolvimento do indivíduo na sociedade. A Bíblia o veda em Levítico 18:6 “não descobrirás a nudez da mulher de teu irmão; é a nudez de teu irmão”.
Assim, nota-se que, desde que o mundo é mundo, seres humanos e animais são sexuados. Observa-se também que as práticas sexuais obedecem a regras e exigências naturais, além das culturais. As proibições e permissões são interiorizadas pela consciência individual, graças a inúmeros procedimentos sociais expulsando, para longe da consciência, quando transgredidas, porque, neste caso, trazem sentimentos de dor, tristeza e culpa que desejamos ocultar. Os antropólogos psicanalistas consideram que o momento da passagem do sexo natural ao sexo cultural, isto é, simbolizado e sujeito a códigos, ocorre com a determinação do primeiro e mais importante dos interditos: a proibição do incesto.
Do ponto de vista freudiano, há uma discussão mais filosófica do assunto, caracterizando a psiquê em suas três instâncias: id, ego e superego, onde se desenvolvem os mecanismos que envolvem a questão do incesto, o qual, para Freud, encontra-se emaranhado à questão do Édipo, vastamente investigada ao longo de toda a sua obra, sendo um dos pilares de sua teoria. Para suas formulações teóricas a respeito do incesto, Freud, o Pai da Psicanálise, lança mão da antropologia, mais especificamente de Lévi-Strauss e sua obra, a qual  tem uma importância fundamental na elaboração de “Totem e Tabu”, onde Freud disseca a questão do incesto frente ‘natureza-cultura’, afirmando que o horror ao incesto vem como uma forma inconsciente, individual e coletiva, de se organizar a sociedade humana de uma forma que a distinga dos animais irracionais. Nota-se que se trata de questões bastante complexas, que até hoje suscitam discussões acaloradas entre os teóricos da chamada área psi.
Por outro lado, a sexualidade não deve ser confundida com o instinto sexual, porque este é um comportamento fixo e pré-formado, característico de uma espécie, enquanto a sexualidade se caracteriza por uma grande plasticidade, própria do ser humano, produto cultural, invenção e relação com a história pessoal de cada um de nós. A incidência do incesto pode ser de várias formas que não a relação sexual genital, portanto, a compreensão deste fenômeno deve levar em conta a dinâmica afetiva da família como um todo, sendo que os desejos incestuosos são formados pela falta das funções estruturantes dentro da família. Por se tratar de uma questão de estruturação psicossocial, a resolução do problema não passa apenas pelo âmbito “educativo”.
Assim, o fenômeno ou o fato da repressão sexual é tão antigo quanto a vida humana em sociedade, entretanto, o conceito mencionado é bastante recente. De acordo com estudiosos do assunto, a repressão sexual se diferencia no tempo e no espaço, estando articulada às formas complexas de simbolização com que diferentes culturas elaboram suas relações com a natureza. Nenhuma cultura lida com o sexo como um fato bruto, mas já o vive e compreende simbolicamente, dando-lhes sentidos, valores, criando normas, interditos e permissões.
Entende-se, então, que a eficácia da proibição do incesto dependerá não apenas da força das normas e dos castigos, mas de sua interiorização plena, inconsciente. Por este motivo, os estudiosos falam no tabu do incesto, isto é, na transformação do incesto em falta cuja gravidade não pode ser reparada de modo algum, senão pela morte do infrator, porque seu ato põe em risco a vida de um grupo inteiro, de uma sociedade inteira. A peculiaridade do pavor gerado pelo tabu está em que a morte do infrator, na maioria dos casos, não precisa da intervenção física ou direta do grupo, pois o transgressor morre de culpa, medo, isolamento ou loucura.
Sob o ponto de vista jurídico, o incesto não é conduta típica no Brasil, ou seja, um filho manter relações sexuais com sua mãe, ou um pai com sua filha, não constitui crime em nosso país, se estes envolvidos forem maiores de idade.
   
E como nessa matéria só fala por alto sobre o incesto na Bíblia:

Incesto na Bíblia 


Na Bíblia há três referências explícitas ao incesto, duas no livro de Gênesis e uma no segundo livro do profeta Samuel. A primeira diz respeito a Ló e suas filhas, onde elas embebedam o pai e com ele se deitam para ficarem grávidas e terem filhos com ele (Gênesis 19:30-38). A segunda diz respeito a Abraão, que revela ao rei Abimeleque que Sara de fato era sua irmã (na verdade meia irmã), não somente sua esposa (Gênesis 20:10-16). Já a terceira diz respeito ao relacionamento deAmnon e Tamar, meio-irmãos por parte de pai, pois ambos eram filhos do rei David (2 Samuel 13).

E ai?? O que vocês pensam sobre o Incesto?? Depois de ler Proibido eu mudei muito de opinião. 

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